Horizonte B é uma série recentemente lançada no Netflix, feita no Rio Grande do Sul.
Ela começou de maneira ruim e arrastada, parecendo mais novela do que série, porém se tornou bastante interessante quando os protagonistas se lançaram na estrada.
Enquanto cenas de diálogos- em geral forçados e incoerentes- são filmadas claustrofobicamente, com a câmera colada na cara dos personagens, cenas abertas foram filmadas em paisagens lindas gaúchas, com composições bem pensadas.
Diferente de uma série como Arquivo X ou Stranger Things, o elemento do mistério existe, mas ele nunca recebe nenhuma indicação, explicação ou background, mesmo que só sugerido ou pela metade, então é como se ele não precisasse nem sequer existir na história. Da mesma forma, diversos sub-plots como a mãe dos protagonistas, o interesse amoroso de um deles, não precisavam existir e parecem até incoerentes.
A atuação é ruim por parte de muitos atores mas isso é ignorável.
Os antagonistas parecem ter saído diretamente de uma novela, e transformam a série em Stranger Things meets Rei do Gado.
Se não fosse o final, a série facilmente seria 6/10 ou 7/10, mas o final é tão ruim, tão corrido e tão decepcionante que alguém assiste esperando que um plot twist ao estilo de Black Mirror- os personagens acordam e estavam sonhando, presos no porão dos antagonistas, etc- vai acontecer, e nada acontece, as coisas terminam sem conclusão e é isso aí.
Sunday, 16 April 2017
Thursday, 9 July 2015
Allein (2004) - Thomas Durchschlag
Trechos com spoilers são legíveis ao serem selecionados com o mouse
Allein me lembrou
muito Alice in the Cities, de Wim Wenders, e toda a safra de filmes
modernos alemães, que não são lentos, não são chatos e pesados
de se assistir, mas mesmo assim são sem objetivo, ponto ou mensagem
na sua história. Assim como Alice in the Cities, a fotografia é
ótima, a trilha sonora é sutil e a poética visual, por assim
dizer, é bem articulada, infelizmente os diálogos são forçados, e
o roteiro não é muito bem escrito.
O filme narra o dia
a dia e a vida amorosa de uma mulher que sofre do transtorno
borderline; diferente de garota interrompida ou uma mente brilhante, este nunca poderá ser usado
educativamente em psiquiatria ou psicologia: o transtorno é
representado de forma estereotipada e anacrônica, de maneira que até
me pergunto se o diretor realmente teve contato com ele.
Isso não seria
muito complicado se o diretor tivesse tratado o transtorno como uma
espécie de chekov gun, onde acredito que ele perdeu diversas
oportunidades de fazer uma narrativa com mais surpresas,
altos, baixos, e tensão; a personagem principal age de maneira
anacrônica e agressiva desde o início, primeiramente estando em um
relacionamento abusivo com um sugar daddy, depois conhecendo um rapaz
que vai botar a vida dela nos eixos. Acontece que desde quando começa
a conhecer o novo rapaz, até mesmo antes, ela comete e fala coisas
loucas, e seria muito mais surpreendente se o transtorno dela fosse
manifestando aos poucos, cada vez mais aparente, depois de ter sido
mostrado super evidente em cenas iniciais
Não existe um plot twist onde o público pensa “aahhh, ela é louca então”, se lembrando de um detalhe que anteriormente parecia irrelevante. Muito pelo contrário, o público na maior parte do tempo é levado a ver Maria como uma babaca, exigente e anacrônica mulher. Outros aspectos que poderiam ser explorados, como o pai dela, o trabalho dela, a amiga dela, parecem ser mais after thoughts e são chances desperdiçadas.
Não existe um plot twist onde o público pensa “aahhh, ela é louca então”, se lembrando de um detalhe que anteriormente parecia irrelevante. Muito pelo contrário, o público na maior parte do tempo é levado a ver Maria como uma babaca, exigente e anacrônica mulher. Outros aspectos que poderiam ser explorados, como o pai dela, o trabalho dela, a amiga dela, parecem ser mais after thoughts e são chances desperdiçadas.
Mesmo assim o filme
não é horrível, infeliz ou doloroso de se ver, ele entretem uma
tarde nublada, só não espere grandes ações, supresas ou emoções,
nem algo profundo. É uma passeio constante no rio.
A atuação de Maria
(Lavina Wilson) é ótima, e com certeza o público seria incapaz de
empatizar com a personagem se ela não fosse bonita.
Sunday, 5 July 2015
Início
Esse blog nasceu de sofrimento, ingresso caro e urina presa; nasceu de pretensão, pseudo-profundidade e crítica falsa em salões europeus; de recomendações ruins, filmes chatos e torrents sem seed.
Por décadas vagamos no deserto, em busca do filme perfeito, nem ao mesmo tempo um filme blockbuster genérico americano, nem um filme pós-moderno 2deep4you europeu. Um filme interessante.
Quão difícil é esse vagar. Coiotes mentirosos sussurram suas mentiras em resenhas e notas do imdb. Bonequinhos de jornais locais se levantam e aplaudem de pé a roupa do rei pelado. Idosos lotam salas lotadas de cinemas cheirando a vômito.
Cada review deste blog busca ser honesto e down to earth. Nada de masturbação intelectual, virtuosismo ou falta de conteúdo maquiada de estilo, filmes assim serão queimados na nova ordem mundial, quando os homens colonizarão o sistema solar.
Por décadas vagamos no deserto, em busca do filme perfeito, nem ao mesmo tempo um filme blockbuster genérico americano, nem um filme pós-moderno 2deep4you europeu. Um filme interessante.
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