Trechos com spoilers são legíveis ao serem selecionados com o mouse
Allein me lembrou
muito Alice in the Cities, de Wim Wenders, e toda a safra de filmes
modernos alemães, que não são lentos, não são chatos e pesados
de se assistir, mas mesmo assim são sem objetivo, ponto ou mensagem
na sua história. Assim como Alice in the Cities, a fotografia é
ótima, a trilha sonora é sutil e a poética visual, por assim
dizer, é bem articulada, infelizmente os diálogos são forçados, e
o roteiro não é muito bem escrito.
O filme narra o dia
a dia e a vida amorosa de uma mulher que sofre do transtorno
borderline; diferente de garota interrompida ou uma mente brilhante, este nunca poderá ser usado
educativamente em psiquiatria ou psicologia: o transtorno é
representado de forma estereotipada e anacrônica, de maneira que até
me pergunto se o diretor realmente teve contato com ele.
Isso não seria
muito complicado se o diretor tivesse tratado o transtorno como uma
espécie de chekov gun, onde acredito que ele perdeu diversas
oportunidades de fazer uma narrativa com mais surpresas,
altos, baixos, e tensão; a personagem principal age de maneira
anacrônica e agressiva desde o início, primeiramente estando em um
relacionamento abusivo com um sugar daddy, depois conhecendo um rapaz
que vai botar a vida dela nos eixos. Acontece que desde quando começa
a conhecer o novo rapaz, até mesmo antes, ela comete e fala coisas
loucas, e seria muito mais surpreendente se o transtorno dela fosse
manifestando aos poucos, cada vez mais aparente, depois de ter sido
mostrado super evidente em cenas iniciais
Não existe um plot twist onde o público pensa “aahhh, ela é louca então”, se lembrando de um detalhe que anteriormente parecia irrelevante. Muito pelo contrário, o público na maior parte do tempo é levado a ver Maria como uma babaca, exigente e anacrônica mulher. Outros aspectos que poderiam ser explorados, como o pai dela, o trabalho dela, a amiga dela, parecem ser mais after thoughts e são chances desperdiçadas.
Não existe um plot twist onde o público pensa “aahhh, ela é louca então”, se lembrando de um detalhe que anteriormente parecia irrelevante. Muito pelo contrário, o público na maior parte do tempo é levado a ver Maria como uma babaca, exigente e anacrônica mulher. Outros aspectos que poderiam ser explorados, como o pai dela, o trabalho dela, a amiga dela, parecem ser mais after thoughts e são chances desperdiçadas.
Mesmo assim o filme
não é horrível, infeliz ou doloroso de se ver, ele entretem uma
tarde nublada, só não espere grandes ações, supresas ou emoções,
nem algo profundo. É uma passeio constante no rio.
A atuação de Maria
(Lavina Wilson) é ótima, e com certeza o público seria incapaz de
empatizar com a personagem se ela não fosse bonita.

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