Thursday, 9 July 2015

Allein (2004) - Thomas Durchschlag

Trechos com spoilers são legíveis ao serem selecionados com o mouse

Allein me lembrou muito Alice in the Cities, de Wim Wenders, e toda a safra de filmes modernos alemães, que não são lentos, não são chatos e pesados de se assistir, mas mesmo assim são sem objetivo, ponto ou mensagem na sua história. Assim como Alice in the Cities, a fotografia é ótima, a trilha sonora é sutil e a poética visual, por assim dizer, é bem articulada, infelizmente os diálogos são forçados, e o roteiro não é muito bem escrito.

O filme narra o dia a dia e a vida amorosa de uma mulher que sofre do transtorno borderline; diferente de garota interrompida ou uma mente brilhante, este nunca poderá ser usado educativamente em psiquiatria ou psicologia: o transtorno é representado de forma estereotipada e anacrônica, de maneira que até me pergunto se o diretor realmente teve contato com ele.
Isso não seria muito complicado se o diretor tivesse tratado o transtorno como uma espécie de chekov gun, onde acredito que ele perdeu diversas oportunidades de fazer uma narrativa com mais surpresas, altos, baixos, e tensão; a personagem principal age de maneira anacrônica e agressiva desde o início, primeiramente estando em um relacionamento abusivo com um sugar daddy, depois conhecendo um rapaz que vai botar a vida dela nos eixos. Acontece que desde quando começa a conhecer o novo rapaz, até mesmo antes, ela comete e fala coisas loucas, e seria muito mais surpreendente se o transtorno dela fosse manifestando aos poucos, cada vez mais aparente, depois de ter sido mostrado super evidente em cenas iniciais

Não existe um plot twist onde o público pensa “aahhh, ela é louca então”, se lembrando de um detalhe que anteriormente parecia irrelevante. Muito pelo contrário, o público na maior parte do tempo é levado a ver Maria como uma babaca, exigente e anacrônica mulher. Outros aspectos que poderiam ser explorados, como o pai dela, o trabalho dela, a amiga dela, parecem ser mais after thoughts e são chances desperdiçadas.

Mesmo assim o filme não é horrível, infeliz ou doloroso de se ver, ele entretem uma tarde nublada, só não espere grandes ações, supresas ou emoções, nem algo profundo. É uma passeio constante no rio.
A atuação de Maria (Lavina Wilson) é ótima, e com certeza o público seria incapaz de empatizar com a personagem se ela não fosse bonita.

Sunday, 5 July 2015

Início

Esse blog nasceu de sofrimento, ingresso caro e urina presa; nasceu de pretensão, pseudo-profundidade e crítica falsa em salões europeus; de recomendações ruins, filmes chatos e torrents sem seed.
Por décadas vagamos no deserto, em busca do filme perfeito, nem ao mesmo tempo um filme blockbuster genérico americano, nem um filme pós-moderno 2deep4you europeu. Um filme interessante.

Quão difícil é esse vagar. Coiotes mentirosos sussurram suas mentiras em resenhas e notas do imdb. Bonequinhos de jornais locais se levantam e aplaudem de pé a roupa do rei pelado. Idosos lotam salas lotadas de cinemas cheirando a vômito.


Cada review deste blog busca ser honesto e down to earth. Nada de masturbação intelectual, virtuosismo ou falta de conteúdo maquiada de estilo, filmes assim serão queimados na nova ordem mundial, quando os homens colonizarão o sistema solar.